Em um marco para a educação comunitária e a inclusão social na região, o município de Presidente Vargas, no Maranhão, celebrou o encerramento do Curso de Educadores Populares no último dia 31 de maio. A iniciativa foi realizada por meio de uma cooperação entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS), pelo programa Capacita em Rede, e o Movimento de Educação de Base (MEB). Ao longo de uma jornada intensa de 50 horas de carga horária, o curso preparou cidadãos para atuar diretamente na transformação da realidade local, culminando na aprovação e certificação de 26 novos educadores.
A diversidade do grupo de formandos foi um dos pontos altos da formação, reunindo estudantes de Pedagogia, professores, agentes de pastorais, sindicalistas, membros de religiões de matriz africana e assistentes sociais. Essa pluralidade de vivências enriqueceu os debates e fortaleceu o objetivo central do projeto, que foi o resgate da Educação Popular fundamentada no pensamento e no legado de Paulo Freire. Segundo os organizadores, a experiência proporcionou momentos profundamente significativos de aprendizado e união, consolidando-se como um espaço de luta, resistência e, acima de tudo, um convite para aflorar o conceito freiriano do “esperançar” na comunidade.
Como resultado prático dessa imersão pedagógica, os participantes desenvolveram uma série de materiais e ferramentas que servirão de base para futuras ações sociais no município. Entre as produções teóricas e práticas, a turma realizou uma pesquisa detalhada de busca ativa para mapear pessoas não alfabetizadas na região, apresentada em formato digital. A memória coletiva do grupo também foi eternizada com a criação do Livro de Memórias dos Educadores Populares de Presidente Vargas: Histórias, memórias e Afetos, além da produção de um vídeo institucional com os relatos da experiência e de portfólios individuais que resgatam as trajetórias de cada aluno como educador social.
O impacto do curso também se estendeu ao planejamento pedagógico e à intervenção comunitária direta. Os alunos elaboraram relatos detalhados sobre as Jornadas Comunitárias, apontando problemas locais e sugerindo encaminhamentos práticos para resolvê-los. Na vertente didática, foram criadas sequências específicas para o trabalho de alfabetização de jovens e adolescentes, utilizando a palavra geradora “Casa” e a letra da música “Cidadão”, de Zé Ramalho, como instrumentos de conscientização e leitura de mundo. Para garantir a continuidade desse legado, o encerramento do curso foi marcado pelo anúncio da criação do Núcleo de Estudos do MEB em Presidente Vargas, que promete manter vivas as discussões e as ações práticas em prol da educação popular na cidade.

