Entre os dias 3, 4 e 5 de julho, a comunidade do Quilombo de Coqueiros, localizada no município de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, sediou uma intensa e transformadora jornada de aprendizado. O projeto Jovens Comunicadores Populares, assessorado pela equipe do Movimento de Educação de Base (MEB), reuniu a juventude local, lideranças e o grupo de mulheres para um final de semana de imersão na comunicação comunitária.
A formação aconteceu na Escola Sérgio Varela e contou com a participação de mais de 40 pessoas, envolvendo não apenas os moradores de Coqueiros, mas também jovens vindos de mais de cinco comunidades da região do Baixo Vale do Ceará-Mirim.
Da teoria à prática: ferramentas para a Voz Quilombola
Durante os três dias de encontro, o foco esteve em instrumentalizar a comunidade para que ela mesma possa contar suas histórias, demandas e conquistas. Foram realizadas oficinas práticas e teóricas. Foram aplicadas técnicas de fotografia e vídeo, escrita criativa e redes sociais.
O grande diferencial foi o momento em que os participantes saíram das salas de aula para o território. Munidos de celulares e cadernos, os jovens e as mulheres realizaram reportagens de campo, fotografaram o cotidiano e gravaram relatos dos moradores mais antigos sobre a história local.
Identidade e Reafirmação: Mais do que aprender a mexer em aplicativos ou câmeras, a formação debateu a comunicação como uma ferramenta de luta e reafirmação da identidade quilombola. O resgate da ancestralidade, a valorização da cultura local e o fortalecimento do território foram os combustíveis para a criação dos conteúdos digitais durante o final de semana.
Vozes do Território
Para Fabrício Preto, assessor do projeto Jovens Comunicadores Populares, o impacto da ação vai muito além das técnicas jornalísticas: “Eu acredito que a experiência desse projeto pode colaborar com a comunidade de forma que os jovens e as mulheres sejam protagonistas de suas histórias, podendo reafirmar as suas ações positivas. Da mesma forma, a partir de uma criação de uma consciência crítica, eles podem também apontar, cobrar por melhorias e denunciar aquilo que ainda precisa ser mudado na comunidade”, destacou Fabrício Preto.
O protagonismo das mulheres do MEB também foi um dos pontos altos do evento, mostrando que a comunicação popular é um espaço de união entre diferentes gerações em prol do bem comum e da justiça social na região do Baixo Vale.
Ao fim do encontro, o sentimento geral era de fortalecimento. O Quilombo de Coqueiros e as comunidades vizinhas agora contam com uma rede de comunicadores prontos para dar visibilidade às suas lutas, belezas e direitos.

